
Escrevi uma carta, mas não te mandei. Um carta cheia de amor, de intensidade, de palavras bonitas, de sentimentos veementes. Uma carta romântica, alegre, cheia de boas lembranças, cheia de memórias, quase com uma música no fundo.
Eu dizia o quanto você era importante pra mim. Dizia o quanto gostava de compartilhar minha vida com você.
Naquela triste carta, eu dizia como doía te dar adeus. Dizia como era doloroso ouvir à rádio e a nossa música começar a tocar. Disse como era difícil mudar de rádio, e eu acabava chorando de saudade. Eu falei que você foi meu primeiro amor, e até então, o meu único. Disse que o que eu senti por você, nunca senti por nenhuma outra pessoa.
Naquela carta eu disse que você foi o canalha mais canalha do mundo, por ter me feito sofrer, por ter me feito chorar, por arruinar noites de sono e tardes de estudo, por ferrar com meus dias de prova, com meu humor nos finais de semana. Eu disse que você era um sem consideração, um arrogante, com seu sangue frio correndo por suas veias, com seu coração de pedra que mal pulsava.
Eu disse que eu fui mais idiota ainda. Idiota por ter te conhecido, por ter me apaixonado, por ter te desejado, te amado, te querido tanto. Disse que eu me senti uma estúpida por rastejar tanto por você, por ter corrido tanto atrás de você quando você não me queria mais. Eu disse que nunca mais queria te ver, nem ouvir a sua voz, nem uma mísera foto de nós dois juntos.
E foi por isso que eu não mandei aquela carta. Porque no fundo, bem no fundo do meu coração, não quero que você saia da minha vida, que suma da minha frente, que suas fotos desapareçam do meu HD e que as suas cartas se inflamem. No fundo, eu ainda nos vejo juntos, vejo uma vida feliz, romântica, harmoniosa. Vejo você e eu na eternidade, trocando carinhos e muito amor.
Por isso não te mandei essa carta. Porque eu te amo, mas não quero que você saiba. Me dói te amar assim e ainda não ser a nossa hora de ficar juntos. Me dói esperar o quanto for preciso para que aí sim possamos ser felizes...
Eu te amo, sim. Te amo como sempre amei, como sempre vou amar.

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